Electro Beat: a sua dose mensal de notícias sobre EV (março de 2026)
Damos-lhe as boas-vindas à edição de março da Electro Beat, o seu resumo mensal das principais histórias que estão a definir o mundo dos veículos elétricos. A seleção de notícias deste mês é imperdível: o lançamento de EV sem condutor na Europa e no Japão, os avanços no carregamento instantâneo da BYD e muito mais que vale a pena ler!
Vamos começar…
Carros sem condutor? As parcerias de robotáxis que estão a conquistar o mundo em 2026
No mês passado, a Electrobeat falou sobre carros voadores; este mês, apresentamos os robotáxis!
Já a circular pelas ruas de Londres, os táxis da Waymo mapeiam as vias da cidade desde o final de 2025. Com ecrãs de segurança no interior, mas sem condutor, estes novos veículos prometem mudar a forma como as pessoas chamam e utilizam os táxis.
Os Waymo não são os únicos! Grandes empresas estão a unir-se para colocar estes robotáxis em funcionamento nas ruas. As gigantes Wayve, Uber e Nissan fecharam um acordo para colocar estes táxis totalmente autónomos nas ruas de Tóquio ainda este ano! Estão realmente a ultrapassar os limites de velocidade…
Na parceria, cada empresa tem a sua função:
Wayve = o software de IA que utiliza a aprendizagem profunda em vez de mapas de alta definição para se adaptar rapidamente
Nissan = integrar a tecnologia no Nissan LEAF elétrico
Uber = utilizar a ampla rede de táxis do serviço para pôr em prática esta tecnologia
A Uber está a expandir as suas operações com mais de 25 parcerias em todo o mundo. A frota de táxis está a esforçar-se para se tornar no maior serviço de táxis autónomos do mundo. No entanto, em vez de criar um monopólio de robotáxis, o serviço internacional de transporte por aplicação espera um amplo investimento na nova tecnologia, principalmente para evitar que outros concorrentes dominem o mercado.
Fora do acordo, os veículos da Nissan estão a atualizar a tecnologia de assistência ao condutor, oferecendo tecnologia de baixo custo operacional e, ao mesmo tempo, proporcionando mobilidade avançada aos condutores. Embora estes veículos para viagens de consumo ofereçam assistência ao condutor, esta limita-se aos modelos de IA de Nível 2: ou seja, travagem e condução, e continuam a exigir sempre um condutor totalmente competente. Este acordo entre a Uber, a Nissan e a Wayve leva esta tecnologia um passo mais longe, visando uma frota totalmente autónoma.
Esta tecnologia revolucionária não se limita ao outro lado do mundo: a Bolt e a NVIDIA estão a focar os seus esforços a Europa. Utilizando os dados de condução da Bolt e a tecnologia autónoma baseada em IA da NVIDIA, esta parceria visa expandir a tecnologia a toda a frota.
A nova tecnologia procura especificamente:
Aprender com a condução ativa
Dar prioridade ao RGPD
Tecnologia de última geração para um crescimento escalável
Progresso interno: procurar apoiar a educação na UE
Ambas as iniciativas visam um futuro das viagens com IA, utilizando a tecnologia para acompanhar e aprender com as viagens, com a intenção de se expandirem internacionalmente.
Outros participantes na corrida aos carros autónomos incluem a Tesla, cuja abordagem é encontrar a opção mais barata e escalável. Embora a redução de custos seja um tema em voga, as normas de segurança compreensivelmente exigentes estão a impedir qualquer progresso rápido.
Quase metade da frota de veículos dos EUA poderá ser eletrificada até 2029
A eletrificação de frotas nos EUA está a ganhar ritmo, com novos estudos a sugerirem que quase metade de todos os veículos comerciais poderão ser eletrificados nos próximos anos. Embora isto não signifique uma mudança completa para veículos elétricos a bateria, sinaliza uma grande transformação na forma como as frotas são abastecidas.
Principais conclusões
Prevê-se que 46% dos veículos de frota dos EUA sejam eletrificados até 2029
Uma subida de cerca de 26% face aos números atuais
A adoção de veículos totalmente elétricos (BEV) mantém-se relativamente estável
O maior crescimento vem dos veículos híbridos e híbridos plug-in
Os veículos a gasolina e a diesel deverão diminuir, mas não desaparecer por completo
Uma transição para o "eletrificado", não totalmente elétrico
À primeira vista, os números sugerem uma rápida transição para a eletricidade. Mas a realidade é mais complexa. Em vez de uma transição completa para veículos elétricos a bateria, as frotas estão a adotar uma combinação de motores.
Os veículos híbridos (HEV) e híbridos plug-in (PHEV) estão a apresentar o crescimento mais rápido, com ganhos mais pequenos nos EV com extensão de autonomia. Por outro lado, espera-se que os veículos totalmente elétricos se mantenham relativamente estáveis.
Isto aponta para uma transição mais gradual e flexível, onde as diferentes tecnologias desempenham papéis distintos consoante a tarefa.
A sustentabilidade continua a ser um fator-chave
Apesar das alterações nas políticas públicas, a sustentabilidade continua a ser uma prioridade para as empresas gestoras de frotas. Na verdade, muitos decisores políticos relatam um foco crescente ano após ano.
No entanto, a definição de sustentabilidade está a evoluir. Já não se trata só de emissões, mas também de:
eficiência de custos
tempo operacional do veículo
viabilidade comercial a longo prazo
As frotas estão a procurar equilibrar as metas ambientais com as realidades operacionais.
O que significa isto para as frotas
A eletrificação não é uma solução única para todos, e isso está a definir a forma como as frotas planeiam o futuro.
Os gestores de frotas podem esperar:
Maior complexidade – gestão de frotas mistas com diferentes motores
Maiores necessidades de infraestruturas – especialmente para carregamento em armazéns e planeamento de rotas
Mais decisões baseadas em dados – utilização de análises para otimizar os custos e o desempenho
O panorama geral
Em vez de uma mudança repentina para veículos totalmente elétricos, as frotas estão a caminhar para um ecossistema eletrificado diverso. Isto abre caminho a uma gama mais ampla de tecnologias e oferece aos operadores mais flexibilidade na forma como fazem a transição.
A direção é clara: a eletrificação está a acontecer. Mas está a chegar como um espectro, não como uma solução única.
O que inclui o termo "eletrificado"?
Abrange uma combinação de tecnologias, incluindo híbridos (HEV), híbridos plug-in (PHEV) e veículos totalmente elétricos (BEV).
Porque é que os veículos totalmente elétricos não estão a crescer tão rapidamente?
Fatores como o custo, a infraestrutura e os requisitos operacionais fazem com que muitas frotas estejam a adotar soluções híbridas como um passo intermédio.
Os veículos a gasolina e a diesel estão a desaparecer?
Ainda não, mas espera-se que a sua quota diminua à medida que as frotas diversificam os seus motores.
Porque é que a “ansiedade com a autonomia” está a perder força
Se tem navegado por fóruns sobre EV ou conversado com vizinhos céticos, provavelmente já ouviu a grande questão: "E se...": e se a bateria deixar de funcionar ao fim de três anos? É uma questão pertinente e que continua a surgir quando se fala sobre qualquer assunto relacionado com EV.
Mas de acordo com os recentes desenvolvimentos no mundo automóvel, as baterias dos carros estão a revelar-se fiáveis, previsíveis e surpreendentemente resistentes.
Um novo estudo concluiu que os EV ainda retêm 90% da capacidade da bateria após quase 160 000 quilómetros
Um novo e abrangente estudo com 24 000 relatórios de estado de baterias, realizado pela empresa de leasing Arval, desfez o mito da "bateria descarregada". Depois da análise de EV em 11 países, os dados mostram que, mesmo após seis anos na estrada, ou aproximadamente 160 000 km, o estado médio das baterias permanece acima dos 90%.
Colocando isso em perspetiva:
Aos 72 500 km: a maioria das baterias ainda possui 93% da sua capacidade útil original.
Em média, a capacidade de carga das baterias diminui cerca de 1% por cada 22 000 km percorridos.
O teste de esforço: a associação automóvel alemã (ADAC) pôs isso à prova definitiva, submetendo um VW ID. 3 a mais de 172 000 km de "uso intenso". O resultado? A perda foi de apenas 13 km de autonomia total.
A boa notícia é que as baterias modernas não são frágeis. Foram concebidas com sistemas sofisticados de refrigeração e gestão, comprovando a sua capacidade de resistir ao teste do tempo.
A transparência total está a chegar
Embora o hardware esteja a comprovar o seu valor, a forma como medimos esse valor também está a receber uma grande atualização. Longe vão os dias em que tínhamos de acreditar na palavra do vendedor.
Até 2027, novos regulamentos vão introduzir um "Passaporte para Baterias". Haverá também um indicador uniformizado chamado SOCE (State of Certified Energy, Estado de Energia Certificada). Isto significa que verificar a "saúde do coração" de um EV será em breve tão comum e fácil como verificar a quilometragem no painel de instrumentos.
Pense nisso como um diário de bordo digital que acompanha o veículo, registando a sua composição química, histórico e dados de desempenho.
Marcas como a Kia e a Volvo já estão na vanguarda no que a isto diz respeito, percebendo que a transparência é a melhor forma de fazer com que os compradores de EV usados se sintam 100% confiantes.
O estado das baterias recebe um impulso de financiamento para se tornar global
Esta mudança no sentido da transparência não está a acontecer apenas na Europa. A Aviloo, especialista em diagnóstico de baterias de EV, garantiu recentemente um financiamento de 30 milhões de euros para expandir os seus testes independentes a todo o mundo.
O seu objetivo é tornar o certificado independente do estado da bateria um elemento básico na compra ou venda de um carro, e não apenas um extra "desejável". Com a previsão de que a frota global de veículos elétricos triplique para 150 milhões até 2030, ter um selo de "certificação" na bateria será o padrão de referência para quem pretende trocar ou comprar um veículo usado.
Os carros elétricos vendem mais do que os carros a gasolina: uma mudança de paradigma!
Em dezembro de 2025, pouco menos de 218 000 carros totalmente elétricos novos (veículos elétricos a bateria – BEV) foram registados em toda a Europa! Em comparação, apenas foram registados 216 500 carros a gasolina, o que significa que a quota de mercado dos BEV foi de 22,6%, enquanto a dos carros a gasolina se situou nos 22,5%.
Embora a margem seja relativamente pequena, o facto de os BEV superarem as vendas de carros a gasolina pela primeira vez é um feito enorme! Um passo importante e entusiasmante rumo ao objetivo global de transição para os veículos elétricos em toda a Europa.
No entanto, este não foi apenas um aumento repentino dos números! O número de veículos elétricos registados na UE tem crescido exponencialmente. Em 2025, as vendas de veículos elétricos cresceram cerca de 30%! Ao mesmo tempo, as vendas de carros a gasolina caíram 19% só em dezembro (2025).
Com os incentivos à compra de veículos elétricos a surgirem um pouco por toda a Europa, o impulso para a transição elétrica continua bem vivo! Quer se trate de incentivos em dinheiro, depreciação fiscal, incentivos locais ou incentivos às empresas (frotas), os programas de financiamento estão a surgir em diversos mercados, incentivando mais pessoas a aderir ao clube dos carros elétricos. Eis alguns exemplos:
Leasing social – um programa apoiado pelo governo francês que oferece financiamento para o aluguer de automóveis a longoprazo, também conhecido como leasing!
Depreciação fiscal – na Alemanha, as empresas podem deduzir 75% do valor dos seus veículos elétricos no primeiro ano e, depois, depreciá-los ao longo de 10 anos.
Subsídio para carros elétricos – O governo do Reino Unido reativou oficialmente o subsídio para carros elétricos, que tinha sido extinto em 2022, mas que agora regressa com um desconto de até 3750 libras na compra de um carro elétrico novo.
Carregamento instantâneo no Reino Unido: carregamento em cinco minutos com a BYD?
Carregar em cinco minutos pode parecer um sonho para quem usa um carro elétrico, mas está cada vez mais perto de se tornar realidade!
O fabricante chinês BYD está a trazer a sua tecnologia de "carregamento instantâneo" ultrarrápido para o Reino Unido, com previsão de início da implementação ainda este ano. E se cumprir o que promete, poderá alterar seriamente as expetativas dos condutores em relação ao carregamento público! Estamos a falar de até 1500 kW de potência, cerca de quatro a cinco vezes mais rápido do que os carregadores ultrarrápidos típicos de hoje!
É claro que isto requer um tipo específico de bateria, uma vez que nem todos os veículos elétricos a bateria (BEV) estarão equipados com uma bateria capaz de carregar tão rapidamente! Mas em conjunto com o novo modelo topo de gama da BYD, o Denza Z9GT, 1500 kW de potência traduzem-se num carregamento de 10% a 70% em cerca de cinco minutos e numa carga próxima de completa em menos de dez minutos.
Embora atualmente apenas o Denza Z9GT seja capaz de atingir velocidades de carregamento ultrarrápidas, o fabricante chinês prometeu que serão lançados em breve modelos da BYD com esta capacidade de bateria!
Além da velocidade da bateria, também se diz que tem uma elevada resistência às intempéries, sendo capaz de suportar temperaturas extremamente baixas sem que a velocidade de carregamento diminua, graças às baterias avançadas e aos sistemas de carregamento desenvolvidos pela BYD.
O Reino Unido receberá inicialmente 300 carregadores instantâneos, parte de uma iniciativa mais vasta que já resultou na instalação de milhares deles em toda a China. Globalmente, a BYD pretende atingir a marca dos 20 000 até ao final de 2026! Esta grande quantidade de energia requer uma configuração que evite a atualização de toda a rede elétrica, pelo que a BYD desenvolveu uma solução alternativa em que o armazenamento em baterias no local é utilizado para fornecer uma elevada potência. É ainda necessário utilizar duas tomadas de carregamento CC para fornecer uma quantidade tão elevada de energia.
Além disso, a BYD pretende tornar o seu carregamento instantâneo mais barato do que as redes ultrarrápidas atuais: os rumores sugerem um custo de cerca de 0,60 libras/kWh, face às atuais 0,80 a 0,90 libras.
Estas velocidades de carregamento não estarão amplamente disponíveis por enquanto: os primeiros carregadores podem surgir em concessionários ou localizações controladas, mas esta é uma prova entusiasmante de para onde caminha o futuro do carregamento dos carros elétricos! Vai tornar o carregamento público ainda mais conveniente para os condutores de veículos elétricos.